SUMMIT IMOBILIÁRIO 2018

Mais sofás e menos baias

Edifícios sofisticados, bem localizados e com boas instalações e serviços são os que melhor atendem a atual demanda do mercado corporativo

Espaços de trabalho. Pedro de Seixas Corrêa, Ary Krivopisk, Marina Cury e Gustavo Garcia Gabriela Biló/Estadão
por flora monteiro

Se há dez anos o ambiente de trabalho ideal era aquele em que os funcionários trabalhavam em mesas separadas por baias, iluminadas por luz fria e sem vistas para a cidade, hoje a realidade mostra exatamente o contrário. Os melhores escritórios oferecem bancadas compartilhas, salas de reunião com poltronas e sofás, área de descanso com redes e cozinhas com sucos e frutas.

As transformações do mercado corporativo e o impacto delas nos imóveis comerciais foi tema da mesa com Marina Cury, presidente da Newmark Grubb Brasil, Pedro de Seixas Corrêa, especialista em incorporação e construção imobiliária da FGV Management, Ary Krivopisk, diretor de Real Estate do WeWork na América Latina, e Gustavo Garcia, head de pesquisa de mercado da Cushman & Wakefield.

As mudanças no ambiente corporativo são impulsionadas pela geração entre 20 e 30 anos, que chega ao mercado impondo novos valores e necessidades. É o que defendeu Pedro de Seixas Corrêa, da FGV Management. “Os Milleniuns não sonham com carro, mas sim em trabalhar em locais centrais e de fácil acesso. Querem flexibilidade, menos engessamento e mais autonomia.”

Para atender a esses jovens empreendedores, os espaços de trabalho compartilhados, batizados de coworking, são boas opções. A rede global WeWork já tem sete endereços em São Paulo em pontos estratégicos, como as avenidas Paulista e Brigadeiro Faria Lima. A empresa transforma prédios em ambientes dinâmicos e confortáveis, que estimulam a criatividade, a produtividade e as conexões entre as pessoas. “A tendência é compartilhar ideias e nutrir experiências. Oferecemos a estrutura física para tornar esses ideais possíveis”, diz Ary Krivopisk.

Impacto. A transformação do ambiente corporativo está gerando um entrave no mercado imobiliário na capital paulista: a repentina desvalorização de imóveis comerciais localizados em pontos mal servidos em transporte público e com instalações menos sofisticadas. O movimento, chamado de “flight to quality”, pode ser justificado pelo aumento da demanda por complexos novos e mais bem estruturados e pela consequente desocupação e oferta excessiva de imóveis com unidades de baixa metragem e sem serviços.

Segundo Marina Cury, da Newmark Grubb Brasil, os inquilinos estão fazendo exigências cada vez mais complexas, como a instalação de cozinhas e locais adequados para receber animais, mas muitos prédios comerciais não estão aptos para receber esse tipo de programa. No entanto, a grande parte das construções em São Paulo não está apta para isso. “As exigências são cada vez mais complexas, como cozinhas e locais para receber animais. Os prédios precisam ter flexibilidade”, diz.

Para Gustavo Garcia, da Cushman & Wakefield, há alternativas. “Os edifícios menos sofisticados precisam melhorar os serviços e as instalações para atender a demanda já existente”, aponta.“Nos imóveis antigos, a modernização dos equipamentos e novas possibilidades de uso da construção, o famoso retrofit, são boas saídas”, afirma.

Na retomada, microapês dominam o cenário

Imóveis com plantas de 30 metros quadrados atraem o consumidor que prioriza localização em vez de metragem

Tudo à mão. Studio da MAC em Santa Cecília segue a tendência dos imóveis super compactos Gabriela Biló/Estadão

Em 2017, as vendas de apartamentos de até 45 m2 corresponderam a 51% do total de unidades residenciais comercializadas na capital. Enquanto em 2012, a porcentagem era de apenas 16%, segundo o Secovi-SP. A tendência é reforçada pela redução da área útil (veja quadro). Dados da Embraesp apontam que, entre 2007 e 2017, os apartamentos de até um dormitório encolheram quase 35%, chegando à média de 29,10 m². O valor médio do metro quadrado vai de R$ 6 mil a R$ 10 mil reais, conforme a região.

Localizados em áreas centrais, com boa infraestrutura de transporte, comércio e lazer, os apartamentos compactos e studios (unidades pequenas e sem divisórias entre quarto, sala e cozinha) se concentram nos bairros República, Pinheiros e Sé e atraem quem prioriza mobilidade e praticidade.

A incorporadora Vitacon, que já acumula 45 empreendimentos com mais de 7 mil unidades entregues, anunciou recentemente a construção, em Higienópolis, de um edifício com os menores apartamentos da América Latina. Eles terão apenas 10m² e custarão a partir de R$ 99 mil reais.

Já a construtora MAC lançou no mês passado um empreendimento em Moema com 248 studios de 25 a 34m². Em apenas duas semanas, 75% das unidades já haviam sido vendidas. Entre os fatores do sucesso apontados pela empresa está a localização estratégica, próxima ao parque Ibirapuera e a serviços, como restaurantes e lojas.

A Even também está de olho no nicho dos residenciais compactos. “Nosso principal mercado são os imóveis de 70 a 150 m², mas não podemos deixar de apostar nos pequenos em regiões valorizadas da cidade”, conta Marcelo Dzik, Diretor Comercial e de Clientes. A empresa oferece unidades de 23, 25 e 33m². “Há mais casais sem crianças e solteiros procurando por imóveis, por isso a demanda pelos de baixa metragem cresceu”, aponta.
Perfil de público. Segundo o IBGE, o número de divórcios na capital aumentou 95% entre 2006 e 2016. Já os casal sem filhos na região metropolitana eram 20,1%, em 2015, aumento de 29% em relação a 2005.

A facilidade de venda e liquidez para alugar também atrai investidores. É o caso da médica Patrícia Góes, que adquiriu dois imóveis para alugar. “É um investimento com rendimento menor em relação a ações, mas mais seguro e sólido”, afirma.

Para compensar a falta de espaço, os ambientes sociais e de serviço, como lavanderia, escritório e cozinha gourmet, são compartilhados, acomodados na área comum do edifício. “Suprimimos todos os espaços ociosos de uma casa convencional, e são muitos. Estou surpreso com o resultado”, diz o arquiteto Arthur Casas, contratado pela Vitacon para projetar um empreendimento com unidades a partir de 27 m².

A oferta de imóveis compactos reflete também as diretrizes do Plano Diretor e da lei de zoneamento.“Vão faltar imóveis maiores nos próximos três anos”, diz o vice-presidente do SindusCon-SP, Odair Senra. /F.M

Hotelaria mira expansão no mercado de luxo

São Paulo entra na rota do turismo mundial de altíssima renda com novos hotéis de bandeiras internacionais

Realeza. Palácio Tangará, aberto em 2017, iniciou safra de suítes exclusivas na capital Divulgação

Em 2017, as vendas de apartamentos de até 45 m2 corresponderam a 51% do total de unidades residenciais comercializadas na capital. Enquanto em 2012, a porcentagem era de apenas 16%, segundo o Secovi-SP. A tendência é reforçada pela redução da área útil (veja quadro). Dados da Embraesp apontam que, entre 2007 e 2017, os apartamentos de até um dormitório encolheram quase 35%, chegando à média de 29,10 m². O valor médio do metro quadrado vai de R$ 6 mil a R$ 10 mil reais, conforme a região.

Localizados em áreas centrais, com boa infraestrutura de transporte, comércio e lazer, os apartamentos compactos e studios (unidades pequenas e sem divisórias entre quarto, sala e cozinha) se concentram nos bairros República, Pinheiros e Sé e atraem quem prioriza mobilidade e praticidade.

A incorporadora Vitacon, que já acumula 45 empreendimentos com mais de 7 mil unidades entregues, anunciou recentemente a construção, em Higienópolis, de um edifício com os menores apartamentos da América Latina. Eles terão apenas 10m² e custarão a partir de R$ 99 mil reais.

Já a construtora MAC lançou no mês passado um empreendimento em Moema com 248 studios de 25 a 34m². Em apenas duas semanas, 75% das unidades já haviam sido vendidas. Entre os fatores do sucesso apontados pela empresa está a localização estratégica, próxima ao parque Ibirapuera e a serviços, como restaurantes e lojas.

A Even também está de olho no nicho dos residenciais compactos. “Nosso principal mercado são os imóveis de 70 a 150 m², mas não podemos deixar de apostar nos pequenos em regiões valorizadas da cidade”, conta Marcelo Dzik, Diretor Comercial e de Clientes. A empresa oferece unidades de 23, 25 e 33m². “Há mais casais sem crianças e solteiros procurando por imóveis, por isso a demanda pelos de baixa metragem cresceu”, aponta.
Perfil de público. Segundo o IBGE, o número de divórcios na capital aumentou 95% entre 2006 e 2016. Já os casal sem filhos na região metropolitana eram 20,1%, em 2015, aumento de 29% em relação a 2005.

A facilidade de venda e liquidez para alugar também atrai investidores. É o caso da médica Patrícia Góes, que adquiriu dois imóveis para alugar. “É um investimento com rendimento menor em relação a ações, mas mais seguro e sólido”, afirma.

Para compensar a falta de espaço, os ambientes sociais e de serviço, como lavanderia, escritório e cozinha gourmet, são compartilhados, acomodados na área comum do edifício. “Suprimimos todos os espaços ociosos de uma casa convencional, e são muitos. Estou surpreso com o resultado”, diz o arquiteto Arthur Casas, contratado pela Vitacon para projetar um empreendimento com unidades a partir de 27 m².

A oferta de imóveis compactos reflete também as diretrizes do Plano Diretor e da lei de zoneamento.“Vão faltar imóveis maiores nos próximos três anos”, diz o vice-presidente do SindusCon-SP, Odair Senra. /F.M