Bandeja prata com moedas em cima de uma mesa de madeira. Há também notas fiscais em que está escrito, em preto,
Restaurantes e lanchonetes estão sendo trocados por refeições caseiras com amigos | Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Inflação do rolê faz jovem trocar shopping por sofá de casa

No ano passado, variação dos preços da ‘cesta jovem’ foi de 4,48%, maior do que os 2,95% da inflação geral

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A expectativa é aproveitar o fim de semana para sair com os amigos, mas a realidade é ficar em casa porque tudo parece caro demais? Você não está sozinho nessa: outros jovens estão passando pela mesma situação País afora. E a sensação de que a grana não dá mais para um passeio básico é verdadeira. Em 2017, os preços do “rolê” variaram 4,48%, acima da inflação geral de 2,95%, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Sua conta não fecha porque, juntos, os preços de itens como cinema, balada, lanches, refrigerantes, doces, internet no celular e gasolina – fundamentais para um típico rolezinho – apresentaram alta neste período. Os dados foram escolhidos entre os que já fazem parte da pesquisa feita pelo IBGE para calcular a inflação no Brasil, o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), na linguagem técnica. E os cálculos foram realizados com a consultoria do professor Wagner Monteiro, da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas.

Como não é possível mudar o valor da conta da lanchonete ou da entrada na balada, a solução tem sido repensar as saídas. Estudante de administração na Universidade de Brasília, Luisa Cury, de 21 anos, divide as medidas que vem adotando: dar prioridade aos passeios que não se quer deixar de fazer e pensar na quantia a ser gasta de cada vez. “Escolher itens mais baratos do cardápio, ir ao cinema em dias de promoção e dividir o transporte com os amigos também são boas opções para reduzir os gastos com lazer.”

Ela faz algo bem parecido com o que o educador financeiro Ricardo Natali chama de lei da compensação. “Isso é estabelecer as prioridades. Se gastou muito em um dia, economiza no outro”, explica. Natali complementa que o ideal é o jovem ter uma noção real do quanto ele ganha e do quanto ele gasta todo mês para saber quanto pode gastar com cada item, transporte, diversão, alimentação. “É uma questão de entendimento para traçar um planejamento e realizar todas as vontades”, diz.

Está certo, já sabemos que houve inflação no rolê em 2017. Mas qual é o preço agora, em julho, de uma saída simples? Basta fazer as contas para levar um susto. Entre as seis capitais pesquisadas pela reportagem, o valor médio de um rolezinho incluindo transporte público, lanche e filme fica entre R$ 44 (Curitiba) e R$ 62 (São Paulo), tirando os centavos a mais ou a menos. Se for para multiplicar esse valor pelo número de saídas, o resultado está fora das possibilidades de muitos jovens.

Em Manaus, onde mora Adrian Santos, de 20, por exemplo, o total fica perto dos R$ 47. “Costumo ir a um rolê apenas uma vez a cada três ou quatro meses”, conta. “Não é algo que dê para fazer várias vezes na semana ou mesmo no mês.”

Do transporte ao lanche, todos os preços são mais altos na capital paulista. Uma realidade que a estudante Isabel Maia, de 15, conhece bem. “Geralmente, os rolês que eu faço são em lugares como shoppings ou lanchonetes fast food. Na maioria das vezes, é mais caro de que eu posso gastar”, diz. O resultado é que ela tem ficado mais em casa, seja assistindo a filmes com a família ou jogando videogame com os amigos.

Para o coordenador do MBA em Gestão Financeira da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Ricardo Teixeira, o planejamento financeiro de cada jovem tende a variar de acordo com a disponibilidade financeira da família. “A melhor orientação para os pais é ensinar aos filhos, desde pequenos, como eles podem gerenciar o dinheiro para que possam tomar decisões no futuro.”

Outra dica é poupar em alguns fins de semana. É o que faz a brasiliense Maria Luisa Albuquerque, de 23. Quando não consegue ir a restaurantes ou ao cinema, seus programas favoritos, ela parte para a versão low cost. “Fico em casa vendo Netflix, chamo meu namorado para cozinharmos juntos ou trago algumas amigas aqui em casa”, conta.

No vídeo abaixo, jovens de diferentes cantos do País contam o quanto custa se divertir em suas cidades:

Acesse o Youtube para assistir ao vídeo com audiodescrição sobre quanto custa o rolê.