Robôs fiscalizam gastos e divulgam causas de interesse público

Saiba como funcionam três destes ‘bots do bem’

Por Jéssica Díez Corrêa e Matheus Riga

O robô Beta conversa pelo chat do Facebook e convida usuários a participar de causas feministas. Foto: Beta Feminista/Divulgação

Um robô ajuda a fiscalizar os gastos de deputados. O outro interage com adolescentes, coletando informações que podem ajudar na luta por mudanças em políticas públicas. São iniciativas que começam a surgir para contribuir com a sociedade.

Conheça alguns destes bots do bem:

Rosie

Foto: Reprodução Twitter

A Operação Serenata de Amor, projeto de tecnologia voltado para o controle social da administração pública, criou o robô Rosie. Essa inteligência artificial é capaz de analisar cada pedido de reembolso dos deputados brasileiros de acordo com a cota parlamentar e, com isso, identificar a probabilidade de ilegalidade.

O sistema faz a leitura de todas as notas fiscais e determina, automaticamente, se há irregularidades pré-definidas pela programação, como valores muito altos, consumo de bebidas alcoólicas em refeições e compras alheias ao exercício da função. Após determinar a ilegalidade do gasto, Rosie faz uma publicação no Twitter marcando o deputado em questão e pedindo ajuda dos seguidores para verificar a nota. Rosie identificou, até hoje, 8.276 reembolsos suspeitos, totalizando R$ 3,6 milhões.

U-Report Brasil

Foto: Reprodução Twitter

 

Presente em 15 países, incluindo o Brasil, a ferramenta da Unicef permite que jovens opinem em temas de seu interesse. Para começar a receber automaticamente perguntas sobre educação, problemas com bullying e racismo, por exemplo, é preciso interagir com a plataforma por SMS, pelo Twitter ou pelo Facebook. Os dados são reunidos e viram estatísticas, que depois são levadas às autoridades públicas. As informações também servem de base para as pesquisas publicadas no site da organização.

Beta Feminista

Betânia – ou Beta, para os íntimos – é uma robô programada para ajudar a viralizar causas feministas nas redes. A tecnologia é acionada quando o usuário entra em contato com a Beta pelo chat do Facebook. O perfil, então, conduz a conversa seguindo parâmetros pré-programados e passa a enviar alertas e notificações de campanhas e ações feministas que precisam de engajamento.

A ferramenta de mobilização age de maneira que o programa capte dados dos participantes e os utilize para enviar e-mails de pressão ao poder público por meio de suas redes sociais. A Beta Feminista foi desenvolvida pela Nossas, organização de articulação pública para a reconstrução política. A página no Facebook conta com quase 20 mil curtidas.

Colaborou Paulo Roberto Netto