Impressora 3D de baixo custo é promessa para educação maker

Modelo criado por startup de Brasília deve chegar ao mercado no início do ano, com foco no uso escolar

Eduardo Barretto

Dois arquitetos e um advogado de Brasília conseguiram desenvolver um modelo de impressora 3D mais barato do que os mais baratos disponíveis no mercado. O esforço tem um objetivo: facilitar o acesso de instituições de ensino ao equipamento. O protótipo já está em fase final e a máquina deve estar à venda no começo de 2016. “Antes, o computador tinha até capa protetora e a criança só podia usar com o pai ou a mãe por perto. Hoje, as pessoas estão começando a entender que a impressora 3D pode ser algo do dia a dia”, compara o arquiteto Renan Balzani, de 30 anos, um dos sócios da Uberblock, startup em fase de pré-incubação na Universidade de Brasília (UnB). “O melhor lugar para começar isso é dentro das escolas.”

A impressora vai custar R$ 3.500, abaixo da faixa de R$ 4 mil a R$ 8 mil dos modelos 3D que já vêm montados. Até existe a possibilidade de comprar o equipamento desmontado - por R$ 2 mil, em média -, mas fazer a impressora funcionar demanda conhecimentos técnicos bem acima da média.

Protótipo da impressora 3D de baixo custo está em fase final. Máquina deve chegar ao mercado no começo de 2016 Crédito: Divulgação

O plano da Uberblock é começar pelo ensino superior e depois ampliar seu público-alvo, até que as impressoras 3D cheguem a crianças na escola. Para isso, os sócios já estudam uma forma de fechar a impressora, tornando-a mais segura quando estiver em funcionamento, para evitar contato com peças em movimento e materiais aquecidos. Essa conexão com as escolas é fundamental. “Por mais que o plano seja colocar a impressora 3D na mesa de todo mundo, é necessário conhecimento para modelar, montar, entender”, explica Balzani.

Consultor da Caos Focado, que ajuda escolas a instalarem makerspaces, o engenheiro mecatrônico Lucas Torres acredita que 2016 será o grande ano da educação maker no Brasil. Para ele, a próxima onda do movimento será nas salas de aula e laboratórios. Por enquanto, a maior parte dos colégios que têm espaços makers ainda reserva o horário extracurricular para os alunos usarem o local. “Se a escola fizer só no contraturno, vamos ter um colégio chato de manhã e um legal à tarde. Mas é um primeiro passo.”

Torres diz o custo não é o único empecilho para a educação maker. Segundo ele, as escolas não entendem bem as possibilidades de uso de toda essa tecnologia. “Ao mesmo tempo em que ficam desconfortáveis, os educadores se dizem aliviados, porque sentem que encontraram uma resposta para esse contexto digital. É uma linguagem com a qual os alunos têm afinidade.”

Em alguns casos, a forcinha que faltava para a mudança de cultura vem de fora da escola, com universitários que atuam como professores voluntários. Um exemplo é o grupo Ensino Lúdico de Lógica de Programação (ELLP) da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), em Cornélio Procópio (PR), que dá aulas de programação, jogos e lógica para crianças e jovens de 8 a 17 anos em colégios, ONGs e na própria universidade. Para tornar as aulas mais lúdicas, a equipe até se caracteriza, com chapéus, perucas, óculos e balões.

Já na pequena Ceres (GO), de 20 mil habitantes, estudantes do 5º ano do Colégio Estadual São Tomaz Aquino têm desde agosto aulas com o grupo de universitários Gênios de Turing, nome que faz alusão ao matemático britânico que salvou milhões de vidas ao “quebrar” códigos na Segunda Guerra Mundial. Os voluntários, alunos da Universidade Estadual de Goiás, ensinam a programar jogos e aplicativos uma vez por semana.