Arquiteta de intervenções

Diretora de Fab Lab ressalta a importância da cultura do compartilhamento nas cidades

Humberto Abdo e Thales Schmidt

Carolina Cardoso sempre foi criança de colocar a mão na massa. Em Portugal, onde nasceu, fazia seus brinquedos e gostava de ver o avô desmontando objetos em casa para entender como funcionavam. “Ele é mais maker do que eu”, brinca. Hoje, aos 28, ela é diretora executiva do primeiro Fab Lab privado do Brasil, o Garagem, onde colabora para divulgar o movimento maker.

Funcionando como um tipo de laboratório coletivo com cortadoras a laser, impressoras 3D e espaços de marcenaria, o Fab Lab foi fundado em 2012 com três sócios. O local recebe inventores e curiosos amadores ou profissionais, de estudantes de arquitetura a pessoas que fabricam acessórios, como brincos e colares.

Carolina Cardoso é diretora executiva do Garagem Fab Lab Crédito: Felipe Rau

Antes de trabalhar com a cultura maker, a arquiteta Carolina passou dois anos em um escritório da área, mas percebeu que não era bem aquilo que queria fazer e decidiu se desligar. Foi quando as idas ao Garagem se tornaram mais frequentes. “Havia pessoas de diversas áreas com quem eu podia compartilhar conhecimentos e os projetos misturavam design com arquitetura e programação”, conta.

Quando os sócios do Garagem Fab Lab decidiram fechar a empresa, no início de 2015, Carolina e outros frequentadores do local organizaram uma campanha de financiamento coletivo pela internet. Foram arrecadados R$ 39 mil, usados para a reforma da atual sede, na Barra Funda, zona oeste de São Paulo.

Os novos responsáveis pelo Garagem optaram por deixar de ser uma empresa. “Pelos valores que o Fab Lab tem, como a democratização da tecnologia, faz mais sentido sermos uma organização sem fins lucrativos. Não é para nos deixar milionários, nosso foco é ser sustentável”, diz a diretora executiva da nova empreitada.

Saídas criativas, acredita Carolina, já fazem parte da cultura brasileira há mais tempo e são a essência da cultura maker, o que favoreceu sua relação com o País. Para ela, a impressão digital deve se popularizar. “Esse é o ponto de virada, o momento em que muitos conseguirão ter acesso a essas tecnologias, antes fechadas a certos núcleos.”

Carolina é a única mulher na diretoria da nova versão do Garagem. Segundo ela, a presença masculina no setor da tecnologia ainda é predominante e uma de suas preocupações tem sido pensar em como aumentar o interesse das mulheres pelo movimento maker. “Profissionais de cargos importantes já visitaram nosso Fab Lab em busca de parcerias e não queriam falar comigo, preferiam falar com um homem porque estavam lidando com tecnologia.”